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Poodles

Inferno dos Poodles!
Publicado em 16 de fevereiro de 2014
Idade Sexo Pelagem Porte
Adultos Macho Longa Pequeno

O INICIO

     A história começa com um senhor de 70 anos, que tinha aproximadamente 100 animais: a grande maioria de poodles, de alguns pinschers, muitos mestiços dessas duas raças e alguns mestiços de um cocker que deve ter passado por ali.

     Diante dessa situação, um grupo de pessoas iniciou um trabalho de castração entre os machos, para controlar a população canina daquele local. Ficaram de fora apenas dois machos que estavam fazendo a festa entre as fêmeas.

     O pedido de ajuda veio quando, por problemas de saúde, o tutor resolveu doar alguns desses animais.

     No local havia dois grupos de peludos: os que seriam mantidos e os que seriam doados. Entre os últimos, havia uma ninhada que acabara de nascer e duas fêmeas prenhes, já perto de parir.

     Os animais estavam aparentemente bem, embora muito sujos e com pelo embolado. Não havia sinais de maus-tratos, muito embora a narração do fato desse a notícia de que a ração é racionada.

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     Na ala dos que seriam mantidos, até que existiam alguns caixotes espalhados, forrados com panos que lhes estavam servindo de cama. Infelizmente, entre os que seriam doados, não havia cama, nem sombra e quase nada de ração.

     O único abrigo é um banco feito com algumas tábuas sobre as quais eles têm que se amontoar durante a noite pra evitar o chão frio. E sob elas, para se esconderem do sol quente e chuva. Está evidente que não cabem todos, nem sobre nem sob o banco.

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     Muitos deles são desconfiados. Na verdade, são tristes. Eles se amontoam como se buscassem a proteção do grupo. São cães muito dóceis, mas assustados e tristes. A maioria nasceu ali e não sabe que existe uma vida diferente do lado de fora. Eles nem imaginam o que é dividir um travesseiro com os donos, um passeio na praça ou mesmo um banho de pet shop.

     Segundo relato de vizinhos, os cães chegam a uivar de fome, embora aparentemente estejam bem nutridos. A ração realmente não os nutre. Falta quantidade e qualidade. Eles nasceram pra comer ração Super Premium, pra ter atenção, pra passear de carro, pra desfilar com os donos.

     Não existe cachorro feio naquele inferno. Mesmo na turma dos preteridos, existem algumas joias raras. Na verdade, todos são.

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     Contra tudo e contra todos, ainda aparecem alguns que são capazes de ficar de pé, balançando as patinhas, como se pedisse carinho. Os movimentos são típicos de cachorrinho de circo. Alguém deve tê-los ensinado a fazer aquilo.

     Que fique muito claro que nenhum animal será doado sem castrar. Infelizmente, alguns já foram doados antes de nossa chegada. Resta torcer para que não tenham caído em mãos erradas.

     Infelizmente, existem também alguns problemas urgentes a resolver, como a fêmea na foto acima, com um tumor. Ela precisa de assistência médica.

     Uma parte dos animais não será doada. Entretanto, nosso empenho é em retirar de lá os que o tutor autorizou e depois negociar parte do restante.

     O fato é que estavam todos em condições de serem adotados. Os machos já poderiam deixar o abrigo, e as fêmeas precisariam aguardar alguns dias para castração e o pós-operatório.

 

O RESGATE

     Foi em uma manhã de segunda-feira que 23 deles, 6 fêmeas e 17 machos, deixaram a antiga casa, com destino a uma nova vida. Eram exatamente aqueles que estavam mais magros, mais embolados e mais assustados.

     Entre eles, haviam 3 ou 4 bichon frise que até pareciam de raça pura, não tivessem tido as caudas amputadas.

     As seis fêmeas ficaram na Cão Viver, já que precisavam ainda ser castradas, e os machos, já castrados, seguiram para a casa de uma das fundadoras da Cão Viver, em Betim, por absoluta falta de espaço no abrigo. Eles foram deixados juntos, em um canil grande e espaçoso.

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     Lá receberam as primeiras vacinas e vermífugos. Na medida do possível, alguns foram tosados e outros precisariam aguardar o grande mutirão de banho e tosa que aconteceu no pátio da Cão Viver, no sábado dia 07 de setembro, durante a feira de adoção.

     A Brigada Planetária transferiu temporariamente, para o pátio da Cão Viver, parte de sua diretoria para dar banhos e ajudar na organização da feira.

     Muitos outros voluntários, alguns tosadores com experiência e outros só com a boa vontade. Os médicos e estagiários da Cão Viver renunciaram ao feriado para estarem ali.

     O fato é que o mutirão funcionou bem e todos os cães foram tosados, uns bem e outros menos. Nas fotos abaixo, a grande festa foi receber os cães e interagir com eles. O dia foi cheio e agitado, mas eles pareciam felizes. Era gente demais e cada um que passava perto de um cachorro fazia questão de estender os braços e fazer um afago. Eles nunca receberam tanta atenção e tanto afeto. Nenhum voluntário que esteve ali vai conseguir esquecer o dia.

     Não é exagero dizer que os animais estavam felizes. Esses cãezinhos estão muito avançados no processo de humanização. Alguns deles só faltam falar, e outros falam usando a língua dos sinais.

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     Aquela Poodle com um tumor enorme estava entre as resgatadas, é claro. Constatou-se que aquela bola era uma hérnia que já alojava parte de seu intestino, provocando uma mudança de posição de alguns órgãos internos. O caso era muito grave já que o aparelho digestivo estava obstruído, o que a impedia de defecar ou de se alimentar. Com um quadro assim, nenhum cachorro viveria mais que algumas poucas horas. Isso nos leva a certeza de que ela foi salva no último minuto. Foi operada às pressas pela Priscila, veterinária da Cão Viver com experiência nos piores casos.

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A 1ª FEIRA DE ADOÇÃO DOS POODLES

     Chegou o sábado, 07 de setembro, dia muito esperado. As surpresas foram as melhores possíveis em um aspecto e as piores possíveis em outro.

     Com relação à união de voluntários e funcionários, a nota foi 10, com louvor. Muita gente compareceu, mais do que esperávamos. Com os adotantes, não podemos dizer o mesmo.

     Com tudo pronto, era hora de esperar pelo principal: os adotantes. Eles eram as pessoas que tinham o poder de encerrar a festa, de fazer a diferença.

     Esperamos, esperamos, esperamos e esperamos, mas eles não vieram. Pelas redes sociais, havia mais de 50 pretendentes. Acreditávamos que pelo menos os 17 machos que já estavam castrados poderiam deixar o abrigo, nos permitindo buscar outro tanto.

     Mas eles não vieram. Talvez o feriado, talvez a chuva… não choveu, até o tempo ajudou. Não é o caso de tentar entender.

    Duas fêmeas foram adotadas. Só não puderam deixar o abrigo nos braços dos novos donos porque ainda serão castradas e farão o pós-operatório na ONG. Mas as duas ratinhas pretas estão com o futuro garantido.

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     Precisamos explicar que os cães não são cãezinhos de exposição. Eles estão magros, judiados, um pouco assustados. Não são os mais belos exemplares da espécie.

     Infelizmente, os poucos adotantes que chegaram não se interessaram. Talvez esperassem coisa melhor. Alguns deixaram o abrigo decepcionados: “Mas é isso?”

     É ISSO. É exatamente ISSO o que temos pra oferecer. E não queremos aqui pessoas interessadas em cãezinhos de revista. Não queremos aqui gente interessada em um cãozinho de raça. Não queremos por aqui gente que não entenda que esses animais precisam ser ajudados.

     Ao fim da ONG, essas eram as carinhas deles. Não sabia se pedia desculpas a eles pelo preconceito de nossa espécie, ou se prometia que daria o sangue pra mostrar e descrever o que estava acontecendo ali dentro. E que cada um interprete estes olhares como puder.

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     Alguns desses cãezinhos são sociáveis e vêm no colo de pessoas estranhas sem cerimônia, mas a maioria deles é de lobinhos ainda assustados e arredios. São dóceis, mas precisam de tempo, de socialização, de cuidados, de carinho. Precisam ser conquistados.

     Eles foram soltos no pátio, onde tiveram um bom tempo socializando com os diretores da Cão Viver. Foram deixados à vontade, cheirando e pisando a terra, correndo, pulando, marcando um território que nem sequer é deles. Claro que, a essa altura, não importava se estavam deitando na terra depois de terem tomado banho. Afinal, aquela faxina toda não tinha lhes trazido os tão sonhados adotantes.

     Depois de um tempo relaxando na área de terra, era hora de interagir com as pessoas. Petiscos são um bom começo. Aos poucos, eles foram se aproximando, mostrando que não eram tão arredios assim. Até beijo distribuíram, como se agradecessem a acolhida.

     A socialização com os diretores da ONG se estendeu pelo resto do dia até o início da noite. Em pouco tempo já estavam todos rodeando as pessoas, pedindo carinho e colo, sabendo que ali tinha algo que valia a pena. Eles não são selvagens. Estão prontos para se renderem. Precisam apenas de paciência. Claro que o Igor era sempre um dos primeiros a reivindicar o colo.

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     Era hora de prepará-los para a noite fria. Pelo menos aqueles que estavam pelados precisavam de roupinhas. Estranharam um pouco porque não conheciam isso. Mas vão se acostumar.

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     O trabalho continua. Nesta semana, teremos na Cão Viver alguns voluntários que se ofereceram para o trabalho de socialização. Eles chegarão com petiscos e passarão o dia oferecendo colo e afagos. É assim que estes cãezinhos vão aprender que a vida vale muito e que os tempos são outros.

     As doações continuam chegando, de ração, roupinhas, mantas e cobertores.

 

2º Resgate

     O recado que recebido na véspera do dia marcado para mais um resgate foi: “Ele não vai doar nem mais um”.

     Lembrando daqueles olhos que ficaram para trás no dia do primeiro resgate, não dava pra seguir por outro caminho que não fosse ignorar o comando. Voltei ao inferno, com um envelope nas mãos. Dentro dele, as fotos dos primeiros resgatados, de banho tomado, laços e fitas, roupinhas, no colo, etc.

     Trinta minutos de conversa e deixei o local com mais cinco cães e a promessa de resgate futuro para os outros. A Cão Viver já não tinha mais onde colocar cachorro, porque dos 23 iniciais, poucos tinham deixado o abrigo. O destino deles foi o Spa Lucinédia, que cedeu espaço pra “quantos conseguíssemos resgatar”.

     Infelizmente, foram só cinco, quatro machos castrados e uma fêmea, já prenhe, no início da gestação.

     Olívia foi o nome dado à futura mãezinha. Ela ficará na casa da Lucinédia até que os filhotes nasçam e possa ser castrada. Que fique muito claro que nenhum cachorro, adulto ou filhote, será doado sem castrar. Portanto, aos criadores de fundo de quintal, por favor, mantenham distância.

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     Fred é um mestiço de Pinscher com Poodle, de pelo médio. Ele é bem pequenino e pode viver muito bem até em apartamento. Meio assustado, mas já deu pra ver que aprecia um colo. Mesmo não tendo o pelo muito longo, ele precisava de uma boa tosa, que acabou revelando o Pinscher que se escondia debaixo do casaco.

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Esse peludão é o Dick, um Bichon Frisé de 12 anos de idade que era chamado por alguns vizinhos de “cabeção”. É um cãozinho assustado, é claro, e pouco acostumado com carinho. Mesmo assim, se aproxima e aceita afago, como se tivesse descobrindo o melhor da vida. Seu pelo estava tão embolado que lhe tirava mobilidade. O banho revelou muito mais que sua cor original, ele mostrou que ali havia um cãozinho gordinho, sociável, carinhoso, carente e, contra tudo o que se pensava, feliz.

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Aisha é uma poodle pretinha que encontramos perdida em uma Avenida próxima à Via Expressa, quando estávamos a caminho da casa da Lucinédia com os novos cinco resgatados. Um poodle a mais não faria diferença. A Aisha entrou na turma e deu-se muito bem. Já foi até adotada, muito embora só será entregue aos novos donos depois de castrada.

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Por fim, os gêmeos, Guilber e Guilbert, também mestiços de Pinscher com Poodle e seguramente irmãos de ninhada. São também pequenos, ideais para serem criados dentro de casa. Como são mestiços de Poodle, não soltam muito pelo e podem viver muito bem em apartamento.

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     Como os machos já estão castrados, receberam a vacina e o vermífugo, passaram por avaliação médica e já estão prontos para começar vida nova. Eles agora estão felizes, aliviados e exaustos. Um pouco arredios ainda, mas nada que um ou dois dias não resolvam. A Cão Viver dará a eles todo o suporte que precisarem, com vacinas, vermífugo e o que mais for necessário, graças às doações vindas de pessoas que se sensibilizaram com a história e ajudaram com doações em dinheiro.

     Todo o dinheiro doado à Cão Viver com a finalidade ajudar os Poodles será usado em benefício deles. Nunca tiveram nada, mas agora terão o melhor da vida.


História retirada do site O Lobo Alfa
oloboalfa


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